Saturday, September 08, 2007

Horizontes II

«[...]

Embalados no próprio movimento,

Como se andar calasse algum tormento,

O seu olhar fixou-se para sempre

Na aparição sem fim dos horizontes.

[...]

[...]

Nenhum jardim, nenhum olhar os prende.

Intactos nas paisagens onde chegam

Só encontram o longe que se afasta,

O apelo do silêncio que os arrasta,

As aves estrangeiras que os trespassam,

E o seu corpo é só um nó de frio

Em busca de mais mar e mais vazio.»

*

*

Fontes: do texto: Sophia de Melllo Breyner Andresen, "Homens à beira-mar", in Antologia, Moraes Eds., Lisboa, 1975; da imagem: Eridanus; da composição: Berenice.

12 comments:

Rosalina said...

Embalados no próprio movimento,

Como se andar calasse algum tormento,


Motivadoras estas palavras.

Su said...

desfaz o nó..........

jocas maradas de mar

Eridanus said...

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... intrigante Rosalina... que ele silencie, então, sob o impulso de tal motivo :)

Eridanus said...

.
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oh ! Su !,

não é trabalho para um homem só!

Gi said...

E cala Eridanus, cala.
Não há melhor terapia do que essa de andar e colocar o olhar ao serviço da vontade. Se fôr no horizonte melhor ainda : Criar com essa linha onde nada há de concreto e palpável uma separação com aquilo que incomoda, também ele invisível e por vezes até imaginário ...

beijo

Eridanus said...

Gi,

esse tormento, essa cruz,
no caminho do abismo silente,
ei-la, espada trespassante,
ei-lo, gume tangente,
cravada,
cortante,
das rugas do rosto que sulquei,
cego,
para a luz,
no horizonte sofrido, imposto,
cometido e transposto

Gi said...

Sem palavras !
Um beijinho, boa semana.

Dark Blue said...

Fiz uma vez um vídeo parecido, só que seguia num camião Todo-o-terreno por uma praia de muitos Km no parque de Doñana. Infelizmente está em VHS-C e não tenho conseguido passar para formato digital.

Acrescentei aquelas imagens e sons do mar a melodia "Almost Blue" de Daina Krall e o resultado é fabuloso.

Fiquem Bem!

Gi said...

Quase um mês sem nada de novo? Não vale ! :-)

Beijinhos

nana said...

" obrigada por esse mar "

(mia couto)




.....



mesmo.

Paula Crespo said...

eridanus, o poema é magnífico! Que maneira fabulosa de descrever a solidão e o vazio...
Só mesmo a nossa Sofia!

Eridanus said...

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não é ele mesmo, este mar, o dom da nossa vocação, nana?,
o elo de solidão de todo um povo, Paula?